Tecnologia sem código? Claro que sim!

Conheça a Gincana Tech e Bola da Vez, o protótipo vencedor da competição

Desde 2018, a Oxigênio, aceleradora de startups da Porto Seguro, promove a Gincana Tech, cujo objetivo é aproximar colaboradores das áreas de negócio da tecnologia. A cada ano, os participantes são desafiados a buscar melhorias para seus processos aplicando soluções inovadoras que estão ao alcance de todos.

Por esse motivo, a Gincana Tech não é direcionada somente aos colaboradores de TI, mas sim a quem opera processos no dia a dia e domina sua lógica. “Imagine só você pegar um processo que é feito na sua área e aplicar uma tecnologia nova. Além do ganho de conhecimento, temos a melhoria no processo”, explica Caio Felipe Santos, da Oxigênio.

O ponto principal da Gincana é ajudar as áreas a utilizar a tecnologia para informatizar processos e transformar colaboradores operacionais em analíticos
Caio Felipe Santos

Todos podem programar!

Este ano, o tema da Gincana Tech, que já lidou com RPA (Robotic Process Automation) e I.A. (inteligência artificial) nas edições anteriores, foi o “No Code” (sem código), um conceito que permite que pessoas que não trabalham com códigos de programação desenvolvam aplicações. “Tudo o que você precisa ter na cabeça é a lógica do processo que deseja ser automatizado”, afirma Caio, que pesquisou opções “No Code” até chegar à Bubble, plataforma escolhida para ser utilizada pelos participantes da Gincana. 

Após uma palestra com Renato Asse, criador da comunidade “Sem Codar”, mais de 90 grupos se inscreveram para participar da Gincana Tech. Para chegar aos 10 grupos participantes, foram avaliados critérios como número de pessoas impactadas pela melhoria do processo e a sinergia com o negócio. 

Durante quatro semanas, os grupos selecionados participaram de mentorias focadas principalmente em ensiná-los a lidar com a plataforma Bubble. Caio conta que 80% dos grupos já tinham seus processos prontos na segunda semana e só precisariam ajustar questões de design. Tanto ele quanto Renato se surpreenderam com a qualidade e rapidez com que os projetos foram desenvolvidos. “As pessoas lidam com esses processos no dia a dia. Quando chegam com o propósito e nós oferecemos a ferramenta, elas enxergam que aquilo vai melhorar o desempenho e a produtividade, o que gera muito engajamento com a Gincana. Tivemos 100% de participação em todos os encontros“, comemora.

Corretor Bola da Vez

Flávia Farias, da área de Processos da Produção, havia acabado de entrar na Porto quando ouviu falar sobre a Gincana Tech No Code. Imediatamente, identificou uma oportunidade de informatizar o Corretor Bola da Vez, um processo de indicação de corretores para pessoas que buscavam contatos nas sucursais. Antes da pandemia de Covid-19, essas indicações eram registradas num livro físico que, no ano passado, foi transformado num formulário on-line, cujos dados precisavam ser extraídos manualmente para planilhas. “Fazemos parte de uma área que está sempre pensando em melhorias. Não temos conhecimento de programação, mas dominamos a lógica do processo. A partir disso, resolvemos levar o Bola da Vez para a Gincana”, conta Flávia.

Ela e seu grupo, formado por mais dois integrantes, Rodrigo Mendes e Beatriz Almeida, desenvolveram um sistema em que a sucursal realiza as indicações de corretores e tem acesso à sua produtividade, verificando quais indicações se materializaram em vendas, uma visão comercial que o antigo formulário não proporcionava. 

Além disso, é possível editar as indicações, cadastrar corretores e gerar gráficos, tudo isso a partir de diferentes formas de visualização específicas para diretores, coordenadores e equipe de atendimento da sucursal. “Criamos uma lógica em que o sistema apresenta automaticamente quem é o próximo corretor a ser indicado. Nossa ideia é que no futuro essa indicação seja inteligente, ou seja, por volume de vendas, a partir de uma visão analítica de quais indicações foram convertidas”, sintetiza Flávia.  

Foram quatro semanas de trabalho intenso, afinal, as demandas da área não cessaram. “Nossa dificuldade foi somente a questão do tempo. A lógica estava definida e conseguimos dividir bem as tarefas”, avalia. 

Além de vencerem a Gincana com o desenvolvimento de uma aplicação que foi capaz de informatizar o Bola da Vez, Flávia explica que a área ganhou conhecimento para desenhar futuros projetos na plataforma Bubble, facilitando a apresentação de suas necessidades para a área de TI, um ganho e tanto de autonomia. 

“Acredito que o que fez diferença foi termos uma ideia bem estruturada, aparentemente simples, mas com um retorno comercial que evidenciamos durante a apresentação”, afirma Flávia. 

Foi muito legal para incentivar a criatividade e a inovação. Todos os grupos tinham projetos incríveis
Flávia Farias

Demo Day

O encerramento da Gincana Tech acontece num evento chamado de Demo Day, uma mostra dos resultados de cada grupo. Para conferir objetividade e foco às apresentações, Caio oferece aos participantes um treinamento de pitching, um modelo que privilegia a rapidez e o potencial vendedor de cada projeto. 

Os grupos apresentam seus resultados para uma banca avaliadora formada por gerentes, diretores, e VPs. Essa banca parte de critérios pré-definidos para conferir pontos aos projetos. Os três mais pontuados ganham prêmios. “Este ano, por conta da pandemia, premiamos todos os grupos com uma licença do curso de ‘No Code’, e todos ficaram maravilhados”,  comemora Caio. 

Aguardando a chancela da TI

Para que as descobertas e inovações da Gincana Tech não tenham um fim em si mesmas, a área de Tecnologia da Informação é envolvida em todo o processo. Um dos objetivos é que a área avalie e confirme a possibilidade de utilização das aplicações que foram desenvolvidas no dia a dia das áreas. 

Danilo Gimenez, da Arquitetura de Tecnologia da Informação, explica que as aplicações são avaliadas a partir de diversos pontos de vista. “Levamos em conta o ponto de vista técnico, a funcionalidade, a viabilidade financeira e a segurança, para garantir que não haja riscos cibernéticos”. 

Para ele, a vantagem de usar ferramentas “No Code” é a possibilidade da própria área de negócios construir as telas e fazer as suas aplicações. Na sequência, é preciso verificar as vantagens e limitações de determinado modelo. “Minha equipe entra nesse momento, para fazer essa análise”, coloca. 

Danilo afirma ter ficado impressionado com os resultados das aplicações. “Eu achei o progresso dos grupos sensacional. As aplicações são bonitas, têm lógica na passagem de uma tela para outra, tudo bem cadenciado”, elogia. 

A Oxigênio acertou na mosca ao propor o desafio de utilização do sistema No Code
Danilo Gimenez

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