Resgate com moto aquática e Unimog só a Porto tem

Somos cada vez mais um porto seguro também na água

Não é de hoje que a Porto Seguro desenvolve novas formas de fazer resgates em situações críticas. A chamada “Operação Enchente” foi desenvolvida pelo Porto Socorro na década de 1990, e de lá para cá só ganhou força com a especialização das equipes de campo e desenvolvimento de novos equipamentos.  

Richard Ferreira, do Porto Socorro (arquivo).

Richard Ferreira, do Porto Socorro, conta que, de 2009 para 2010, a Porto começou a encarar as enchentes de uma maneira diferente. O primeiro passo foi a criação de uma equipe avançada, chamada de Moto Enchente, que chega ao local antes de alagar para tirar o cliente dali. “O alagamento acontece de uma maneira muito rápida. Chegamos a tirar pessoas de dentro do carro com a água subindo, um ato heróico”, explica. 

“Ao longo do tempo, temos percebido que a situação das enchentes em São Paulo tem piorado, a cidade está cada vez mais exposta a esse tipo de situação. E fomos evoluindo com equipamentos capazes de entrar na água para além da limitação de altura dos guinchos”, conta Rubens Galassi, do Laboratório de Serviços da Porto Socorro. 

Abram alas para o Unimog

A joia da coroa chama-se Unimog, um caminhão 4×4 que acessa o ambiente alagado de até 1,5 metro de profundidade. “Construímos um equipamento na frente desse caminhão que retira o veículo da água, como uma empilhadeira. Ele entra no local submerso, tira o veículo e põe num lugar seguro para o guincho levar”, descreve Rubens. 

Como ninguém trabalha sozinho, o Unimog atua em conjunto com as Moto Enchentes, que chegam antes para avaliar a situação e as condições para o caminhão operar. Desenvolvido por Rubens e sua equipe, o Unimog entrou em operação em 2010. 

Recentemente, o Unimog ganhou a companhia de uma moto aquática. “A moto aquática fica em cima desse caminhão, numa plataforma que se desloca e a põe na água. Seu objetivo é fazer o salvamento de pessoas que estiverem presas dentro de veículos em alagamentos”, conta Rubens.  

Pegamos toda a nossa experiência de 20 anos e juntamos o Unimog à moto aquática
Richard Ferreira
A solução da moto aquática é bem diferenciada. Ninguém tem igual
Rubens Galassi

Situações de risco

Três técnicos foram exaustivamente capacitados para operar a moto aquática. Habilitados para salvamentos e resgates, irão se revezar nessas operações. “Os socorristas têm treinamento de salva-vidas e levam equipamentos específicos para isso. Se um carro está alagado e der pane elétrica, será preciso quebrar o vidro e retirá-lo para o cliente não se machucar. Estamos preparados para qualquer situação de crise”, reforça Richard. 

Os primeiros treinamentos da equipe que pilota a moto aquática foram realizados em represas e, na sequência, no mar, com o intuito de simular um ambiente mais hostil, parecido com a situação de alagamento. Eles também precisaram tirar o arrais, a carteira de habilitação de quem pilota uma embarcação. 

Nicolas é um dos pilotos da moto. Como também é surfista, ele tem bastante intimidade com a água. Seu pai, Djair, conhecido como Dega, é o proprietário e também motorista do Unimog. “Eles trabalham com a gente há 30 anos em operações diferenciadas. Temos a sorte de estar com as pessoas certas, no lugar certo”, celebra Richard. 

Por questões técnicas e de manutenção, a moto aquática não pode ficar muito tempo parada. “Ao menos uma vez por mês, colocamos o equipamento na água e os meninos praticam. Assim, ele estará sempre pronto para uso, afinal, trata-se de algo feito para socorro emergencial, que precisa estar sempre de prontidão”, coloca Rubens. Para facilitar a logística, tanto a moto aquática quanto o Unimog ficam localizados na região central de São Paulo, perto de alguns marcos históricos de alagamento. 

Sirene de alerta

Com o desenvolvimento da moto aquática, surgiu outra questão. Como alertar os clientes e demais pessoas presentes numa situação de enchente de que ali está acontecendo um resgate? Uma sirene diferente das que já conhecemos – como ambulâncias e viaturas de polícia e bombeiros – foi a solução encontrada. 

Richard ressalta que, na hora da enchente, a equipe não faz qualquer tipo de distinção para socorrer as pessoas. “Numa situação de caos, não podemos salvar apenas nossos clientes, é ação humanitária”. Rubens reforça: “uma vez que estamos na água, retiramos carros de segurados e não segurados, fazemos tudo o que está ao nosso alcance”. 

Rubens Galassi, do Laboratório de Serviços da Porto Socorro (arquivo).

“Num ambiente com todo o tipo de ruído, pensamos em ter algo que se destacasse”, explica Rubens. “Enquanto a moto aquática estiver fazendo um resgate, a sirene ficará ativa. É uma maneira de avisar às pessoas para não entrarem naquele local. Afinal, enquanto o Unimog e a moto aquática estiverem dentro d’água, a equipe da Moto Enchente estará fazendo a segurança e a preparação de ambiente que fazem parte do resgate”, completa Richard.

Para ele, tanto o desenvolvimento da sirene, quanto da moto aquática, Unimog, Marruá (picape que entra em alagamentos de até 1 metro de profundidade) e dos demais equipamentos para resgate vêm da necessidade da Porto de inovar e fazer sempre o melhor. “Temos aquele inconformismo saudável de querer evoluir e entregar cada vez mais. Para ser cada vez mais um porto seguro para as pessoas. Essa é a grande conexão com a nossa essência, e é isso que nos move”.

Um verdadeiro Porto Seguro: o Unimog e os resgates em Nova Friburgo (RJ)

Em janeiro de 2011, a região de Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro, sofreu uma das maiores tragédias ambientais da história. Chuvas intensas e o transbordamento de rios provocaram quedas de barreiras e trombas d’água que soterraram boa parte dos arredores da cidade. 

A Porto Seguro participou ativamente das operações de resgate, retirada de veículos e limpeza dos locais atingidos por mais de dez dias consecutivos, com equipamentos próprios.

“Nós deslocamos boa parte da nossa operação para lá. Foram praticamente 15 dias trabalhando direto em barracas do Exército, da Defesa Civil, usando os espaços públicos da prefeitura. Deram carta branca para a Porto Seguro ajudar a limpar a cidade. Mandamos de 10 a 15 picapes porque tinha regiões onde as pessoas estavam isoladas, e os carros da prefeitura, que não eram 4×4, não conseguiam acessar. Nossos carros levaram cestas básicas, medicamentos para o meio da mata, para bairros mais distantes e de difícil acesso”, relembra Rubens.

Essa operação também ficou marcada na memória de Richard. “Chegou um momento em que somente a Porto tinha os equipamentos para tirar as pessoas de onde elas estavam. Uma das nossas ações foi levar alimentos para uma região isolada há dias, onde nada chegava e os únicos veículos que conseguiam atravessar eram os nossos. Numa situação dessas vamos resolver o problema, e fazer de tudo para sermos cada vez mais um porto seguro”, concluiu. 

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